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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Um momento de reflexão



Uma criança a seus pais.

Por favor, papai e mamãe,
Não tenham receio de ser firmes comigo. Prefiro assim para eu me sentir mais seguro.
Não me dêem tudo que eu exigir, porque vou acreditar que, quando crescer, o mundo vai me dar tudo o que desejo.
Não deixem que eu adquira maus hábitos. Não apanhem tudo que eu deixar jogado: livros, brinquedos, roupas.
Antes de me cobrarem alguma coisa, primeiro me ensinem e não me corrijam com raiva, achando que sou culpado por seus problemas.
Não desconversem quando lhes fizer perguntas, senão vou procurar na rua as respostas que não tiver em casa.
Não fiquem encabulados ou nervosos na hora de me responder; é só falar a verdade.
Não digam que seus temores, problemas e as coisas que falo ou temo são bobagens. Para vocês, que adultos, podem ser, mas para mim, que sou criança, não são.
Não achem graça quando eu disser nomes feios ou quando fizer malcriações, pois assim poderei achar que sou muito interessante e “o maior”.
Não deixem que eu fique horas a fio em frente à TV. Lembrem-se de que criança gosta mesmo é de brincar. Binquem comigo, quando for possível.
Não desistam de me ensinar o bem, mesmo que achem que eu não esteja aprendendo.
De vez em quando, passem a mão em minha cabeça. Carinho é bom, e criança gosta.
Deus ama o papai, a mamãe e eu.
Beijos, sua criança.
                                                                                  Autor desconhecido

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Confesso que sofri

            Nos tempos de criança me imaginava um adulto feliz, no sentido mais amplo do adjetivo: emprego, casa, carro, família estruturada enfim, todos esses atributos que podem por assim dizer, fazer uma criatura feliz. Não posso reclamar da vida, ela tem sido generosa. Enquanto meus irmãos passaram fome, eu apenas sofri privações, enquanto eles conheceram ainda infantes o árduo laboro braçal, eu me vi envolto aos livros e cadernos e foi essa a grande razão das minhas conquistas e posso dizer que conquistei muito do que almejei, mas hoje compreendo que o adjetivo feliz é relativo, subjetivo e utópico. Quando imaginei o ser feliz, aí incluí como contexto família, o amar e ser amado e tenho de dizer que essa é talvez a aspiração mais realisticamente improvável de ser concretizada por uma simples razão; valores financeiros e assim capitalistas e de sobrevivência, são concretos e objetivos, enquanto os valores sentimentais, emocionais e racionais, constituintes da família  são abstratos e subjetivos. Desse modo, felicidade é um estado que pode ser alternado e  assim caracterizado por momentos agradáveis e de extrema realização emocional, logo posso dizer que sou feliz ou que pelas minhas conquistas vivo momentos felizes. Mas confesso que sofri, ou confesso que sofro. Primeiro porque família no sentido literal da palavra, jamais poderei constituir. A vida me reservou um modo diferente de existir. Se estou feliz não posso compartilhar tal felicidade como todo mundo, dividir com a família, com os amigos, pelo menos não com todos, e o mesmo acontece quando estou num momento de desânimo, como agora com o relacionamento que sonhei e com um problema que não esperava. Fechado no meu mundo só posso dizer: confesso que sofri.